A prancha mudou e ninguém sabe exatamente o quê.
O arquiteto envia a R03. O estrutural responde três dias depois: "beleza, compatibilizado". Na obra, descobre-se que o shaft andou 40 centímetros entre a R02 e a R03 e ninguém viu. Ninguém mentiu — o estrutural realmente abriu o arquivo. Só que conferir duas pranchas A1 abrindo uma em cada monitor é um trabalho que o olho humano faz mal, e faz pior ainda às seis da tarde.
O comparador do task.BIM existe para essa tarefa específica: dizer o que mudou entre duas revisões da mesma prancha, sem depender de atenção.
Como a diferença aparece#
O sistema sobrepõe as duas páginas e colore o resultado:
- Vermelho — existia só na revisão antiga (saiu);
- Azul — existe só na nova (entrou);
- Cinza — igual nas duas.
Há também o modo Cortina, que corta a tela entre antiga e nova com um divisor arrastável. A sobreposição responde "o que mudou?"; a cortina responde "o que tinha aqui antes?". Numa área densa de projeto, a segunda pergunta costuma ser a mais útil.
Passo a passo#
- Abra o módulo BIM, escolha o empreendimento e vá na aba Comparar Plantas.
- Em Revisão antiga e Revisão nova, selecione PDFs que já estão em Documentos ou faça upload direto.
- Clique em Comparar e espere a renderização.
- Escolha a página, se o PDF tiver mais de uma.
- Alterne entre Sobreposição e Cortina conforme a pergunta.
- Ajuste o zoom com +/−, digitando o percentual, ou com Ctrl+scroll — vai até 800%, que é o suficiente para ler cota.
- Expandir abre em tela cheia sem perder a comparação nem as nuvens.
- Ative Nuvem, contorne o problema e solte o mouse.
Da nuvem à tarefa, sem passar pelo WhatsApp#
Soltar a nuvem abre o formulário do apontamento — e é aqui que a ferramenta deixa de ser um visualizador e vira processo.
Na primeira nuvem do projeto, o sistema pede uma sigla de três letras (por exemplo USC), se ainda não existir. Ela numera todos os apontamentos daquele empreendimento: USC-001, USC-002, e assim por diante. Título e responsável são obrigatórios.
Ao salvar, em um movimento só, o sistema:
- recorta o print da região da nuvem sobre a comparação e guarda;
- cria o apontamento com código, a descrição das duas revisões comparadas e a página;
- cria a tarefa no Kanban do projeto, na coluna de abertos, com o título
CÓDIGO · título, o mesmo responsável e o print anexado; - mantém o vínculo nos dois sentidos — a tarefa aponta para o apontamento, o apontamento guarda a tarefa.
O vínculo bidirecional é o que resolve o problema de verdade. Resolver o apontamento conclui a tarefa. Ninguém precisa lembrar de fechar a pendência em dois lugares, que é exatamente o tipo de disciplina que nenhum escritório sustenta por seis meses.
Dois requisitos que travam na primeira vez
Sem responsável, a tarefa não é criada. O sistema exige escolher alguém — apontamento sem dono é reclamação, não pendência.
O projeto precisa ter colunas no Kanban. Se o quadro nunca foi aberto, abra uma vez antes de comparar.
O que o comparador não faz#
Esta seção vale mais que as anteriores, porque é onde as pessoas perdem uma tarde:
- Pranchas diferentes não comparam. É a mesma prancha em duas revisões, não a arquitetônica contra a estrutural.
- Escala de desenho diferente não fecha. Se a prancha saiu de 1:100 para 1:75, a sobreposição não bate e o resultado não serve como conferência — mesmo que pareça plausível na tela.
- Tamanho de papel diferente, sim. A1 contra A0 o sistema reescala e avisa. Isso só vale quando é a mesma prancha em outro papel.
- Não clique em Comparar de novo só para "atualizar" a tela depois de Expandir/Sair. Isso reinicia página e zoom e pode limpar as nuvens da sessão. As já salvas como apontamento continuam em
/apontamentos— as não salvas, não.
Onde isso desemboca#
Todos os apontamentos do escritório, tenham nascido do comparador ou não, ficam em Apontamentos. Cada um guarda contra qual versão do arquivo o problema foi visto — sem isso, meses depois ninguém sabe se a pendência já foi resolvida numa revisão posterior, e a conferência precisa ser refeita do zero.
O histórico fica no projeto. Não no WhatsApp do coordenador, que some quando ele troca de celular.